quarta-feira, 6 de agosto de 2008

II

MAtilde onde estão os nossos filhos que ao mundo entreguei?
Foram criados sob os meus princípios, aqueles a que te deste,
mas que por entre o betão se refractem tão tristes.
Demos, a cada um deles, de mão aberta o que não tive,
Tudo o que tu sempre assumiste como certo,
não queria que achasses que lhes dava menos do que merecias.
Cresceram e foram ensinados à luz de alguém que não via,
que não via matilde, um Deus à luz de reguadas ou de uma menina com mais de dois olhos
É deles a palavra de uma ciência superior à luz
do que com o meu suor e ignorância acumulei...
mas onde, onde estão os meus filhos?
Um cresceu, fez-se engenheiro por entre as paixões perdidas;
lembro-me do gosto com que desenhava uma casa
da forma como balançava ao som de uma música qualquer
Sempre achei que percebesse das artes que me impunhas
mas acabou por seguir os passos que foram guiados por nós.
Desde que se casou quantas vezes o vimos?
Nem o nosso neto senti nos meus braços
Tal como ele nunca o seu filho nos seus teve.
é tão triste matilde, é tão triste sabê-lo assim.
O que tem ele que o ligue ao mundo que puxe os seus pés à terra?
Vive no abstracto que promovemos, nos conceitos que nada de terreno têm,
Acredita que papel timbrado vale mais que o suor de um homem.
E ela, onde está ela agora que do mimo partiu?
Tivemo-la mais velhos mais cansados de tudo e esbanjámos
no seu egoismo o tempo que queriamos ter de volta.
Demos-lhe tudo, tudo matilde, até a vontade que teve de nos fugir.
Um monstro é feito de extremos, de nadas e de tudos, e nunca nada ela teve.
Onde está ela, onde está agora, onde?
O que chama por ela nos seus mommentos mais tristes?
o que a adormece quando o medo é excessivo e a falta de luz só para ele guia?
Afago agora a cama simples em que meu pai dormia.
Era pequno como há tempos se era e vivo como agora não se é.
Morreu comigo longe, como mais tarde minha mãe morreu.
Sorriam quando os viram sem qualquer movimento
só dessa forma fixara a vida.
Afagasse a cama simples como agora o faço
Tivesse sentido um último exalar feliz
um 'ultimo aperto de uma mão que a minha fome também calejou.
Fizessem o mesmo por mim.

I

Fui-me farto que estava do mundo
Das saudades que tinha de onde nasci
Ficaram as pedras as pessoas
Ruíram por entre o que ficou.

Não larguei nem um adeus gratuito
Não marchei como de antes co'a procissão
O senhor de preto não me acalmou
Por entre os gritos quem vivia para chorar

As minhas pernas não se esforçaram
Procurando cerejas para acompanhar o sol
Que agora não se punha por detrás
do outeiro da quinta dos figueiredos

Rendi-me a automatismos desumanos
ao esforço eléctrico sem o valor do sangue
a amor amizade e tristeza de tempo livre
e à terra que p'lo choro não foi regada

Fui-me farto que estava do mundo
Trouxe comigo as lágrimas que não dei.